segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Como os eleitores interagem com a campanha na internet

Mais de 60 milhões de brasileiros têm acesso a Internet. Nas eleições de 2008, esse número era três vezes menor e será perfeitamente possível chegar a outubro de 2012 com quatro vezes mais usuários que os que acessavam a web nas últimas eleições municipais do país.

Esse dado, por si só, já é determinante da importância que a internet deve ter nas próximas eleições. Mesmo assim, vale conferir os dados de duas pesquisas feitas nas eleições gerais americanas de 2010. Ao menos como tendência, é possível imaginar que dois anos depois, os comportamentos identificados nas eleições americanas possam ser notados no Brasil também.


EUA

Uma pesquisa da Pew Internet & American Life Project mostrou que, em 2010, mais da metade dos adultos americanos obteve na internet informações sobre as eleições no país. Esse índice, de 54% dos adultos, equivale a cerca de 127 milhões de pessoas e representa 73% dos adultos usuários de internet no país.

Página do Partido Democrata do Texas
A pesquisa revelou ainda que 32% dos usuários de internet adultos tiveram na internet seu principal meio de informação ou de envolvimento com a campanha eleitoral. E 22% usaram Facebook, Twitter ou outra rede social para fins políticos em 2010. 



Outros dados importantes:

  • 54% dos adultos conectados disseram que a internet torna mais fácil a conexão com outras pessoas que têm pontos de vista semelhantes
  • 55% dos usuários de internet creem que a internet potencializa a influência de pessoas com visões políticas mais extremadas, enquanto 30% acreditam que essa influência é reduzida porque na web os cidadãos comuns têm a chance de serem ouvidos.
  • 61% dos usuários de internet concordam com a afirmação de que a internet, comparada às mídias tradicionais, é mais democrática ao expor as pessoas a uma gama mais ampla de opiniões. 
  • 56% dos usuários de internet admitem que é mais difícil para eles confiar na informação política que acessam nos meios online.
  • 22% disseram que foram incentivados a votar depois de acessar material de campanha na internet (nos EUA o voto não é obrigatório) e 42% definiram seus votos depois de acessar informações sobre os candidatos na internet.
  • 31% dos usuários de internet adultos assistiram vídeos online com conteúdo político antes das eleições. Depois das eleições este número caiu para 19%. O acesso a conteúdos de vídeo foi que mais cresceu na comparação com a eleição de 2006.
  • 16% dos usuários de internet adultos enviaram e-mails sobre a campanha ou sobre as eleições para amigos e familiares.
  • 12% abriram seu voto na internet. Eleitores com idade entre 18 e 29 anos foram os que mais revelaram seus votos.
  • 8% inscreveram-se para receber informações e atualizações sobre candidatos e a campanha eleitoral. 
  • 7% usaram a internet para organizar ou obter informações sobre reuniões para discussão de questões políticas.
  • 6% participaram de fóruns e grupos de discussão online sobre as eleições
  • 5% usaram a internet para participar voluntariamente de atividades relacionadas à campanha
  • 4% usaram a internet para contribuir financeiramente com um candidato ou campanha 
A pesquisa mostra ainda que os usuários tendem a aderir e acessar conteúdos e informações de candidatos ou campanhas com as quais estão ideologicamente alinhados.

Mesmo com as diferenças entre as eleições nos EUA e no Brasil, há nesses dados boas referências para pensar e planejar uma campanha online para as eleições municipais de 2012. E é isso que faremos nos próximos posts.

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 24 de novembro de 2010. Foram ouvidas, por telefone, 2.257 pessoas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Leia a pesquisa completa.

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